PASTOS

O que podemos dizer é que somos um tipo de mercenários de nós mesmos. Na frente dos fatos, mas na frente da gente.
Posas, posas, posas... Em cuias, em vasos... Manhãs e telas, acenando imagens de um passado que se existiu para um movimento de frases ou pensamentos, esse é o sentido do existir. Movimentos esbranquiçados e paralisados pela ação do tempo, esses braços que guiam a vida.
Não pudemos ter algumas mentiras que não se tentam em existir para rir em risadas, para frear em estradas, para voar pela alma do querer ser verdade.
Não pude ser mais que isso, pela pobreza do meu eu, pela frieza de meu coração humano. O que somos são molas, só isso... Movimentos peristálticos de um norte quente, na madrugada do eu.
O que poderia ser explicado, o que poderia ser explicado?
Perder as vezes é ganhar, ganhar são sempre facas na parede, sem molas, sem sonos, sem sonhos, sem grades... É isso que pensamos quando estamos andando, e não lembramos de nós enquanto...
É isso e pronto.
É isso. A vida enquanto.

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