Educação Artística
Eu
sou o cientista da Educação Artística, o tudo em um, o severino, o
cara que dá aula de desenho, de violino, de piano, dança, teatro,
crochê, paetê, teretetê, e tudo mais que for mandado ensinar. Fui
treinado para isso, durante quatro anos um intenso treinamento, de
manhã, de tarde e de noite, muitas práticas, muitas leituras, muitas
oficinas, muitos cursos, o cara das disciplinas que chamávamos de
Feca, era feca 1, feca 2, feca 3… Para nos servimos de sonhos de
uma formação plena no mundo das artes. Sou um soldado do mundo das
artes ao sol rigoroso dos mandatos do governo. Isso sim! O governo
sempre sonhou nos quebra galhos da artes.
Agora
fomos fatiados, cortados em vários pedaços para assumirmos apenas um
lugarzinho imaginário… Ou sou músico, ou sou pintor, ou sou ator…
Certo que sempre somos MAIS em alguma coisa, mas nunca devemos nos
excluir do mundo real, que é plural e simultâneo.
As
fatias apenas servem para a sistematização dos processos
científicos e estéticos, mas afinal tudo se resume em arte de uma
forma transdisciplinar, como toda a ciência contemporânea.
É
lembrado que no inicio da educação artística, e as vezes até
hoje, fomos tratados como um passatempo, um “lazer sem cérebro”.
Mas hoje, temos que ter a consciência da arte como entendimento da
realidade e além da realidade como fruição estética dentro dos
mistérios desta, também, natureza. Então o ser artista é além
da ciência, abrangendo-a em todos os sentidos, e é também na
poética de sua vida uma metafísica. É como o engenheiro que pensa,
planeja e constrói, mas, como Da Vinte, se perpetua num imaginário
incompreensível dentro de sua mente, e que hoje seria apenas um
Engenheiro e uma Maquete, frio e estático dentro do capitalismo
assassino.
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