Abaetetuba
Abaetetuba é uma cidade.
Abaetetuba tem carros, bicicletas, motos e pedestres, num transito pra lá de Bagdá, ou melhor, pra lá de um ninho de formiga perturbadas. A burrice tomou conta, a loucura é mais normal que os buracos nas ruas e os assaltos são livres e sem talento. É uma cidade aterrorizante para os que estão a conhecer. Mas para os que já vivem lá, é tudo tão calmo como um furação no deserto. O lixo são os adereços mais comuns nas ruas. Jogar lixo na rua é como jogar sementes, sementes de destruição, tristeza e loucura. Os ratos são os príncipes mais adorados, os carapanãs, como são chamados, os vigilantes de todas as peles da cidade. Ocorre sempre nesta cidade, o que não pode ser esquecido, uma sonoridade única com um sotaque e um vocabulário que adoçam os ares úmidos dos rios que são vistos por toda parte. Não podemos dizer que estão errados em ter cultura, mas podemos dizer que estão errados em aceitar uma cultura destruidora que vem de fora. Vem do sul num mesmo país, e do norte com uma respiração profunda dos donos da humilhação. Aceitam tudo nesta cidade, e o pior, sem saber de nada. Bebendo e dançando para esquecer a própria escravidão. Uma cidade sem lei.
Seria tão fácil a correção dos erros de um fósforo que queimou a casa, acendido na mão de uma criança. Limitações severas devem ser executadas diante de atos imundos quando um animal quer devorar a sua carne. Dinheiro e prazer são as palavras chaves, são os pontos fracos, são as cartas jogadas para a derrota de um inimigo impiedoso.
Isso se aplica a muitas cidades, mas nesse momento a canção é própria.
(Valdemir Vinagre Mendes)
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