JARDIM FANTASIA
Uma escola depredada, atrasada deveria ser alegre... Ser muito bem adaptada às exigências dos alunos de periferia. A escola pública dos pobres é aquela que enxerga os problemas dela mesma.
Por outro lado os professores
são sacrificados, são cristos. Eles ganham pouco e trabalham muito... Muito no
sentido de um trabalho estressante, muitas horas no calor, e com funcionários
mal formados. Como numa fabrica em que os técnicos erram o manejo da engrenagem
o tempo todo, causando acidentes irreversíveis. Dessa forma se espalha na
cidade e no campo.
Os alunos são como gados,
levados para o abatimento, que é a morte deles. Pois a escola mata.
Quando entro na sala me toca
muito ver o sorriso de um aluno, fazendo bagunça, querendo chamar a atenção,
dizendo de sua vida de uma maneira bastante inocente... Sim eles são inocentes.
E são enganados por pensarem que a aula deve ser dessa maneira, como numa
fazenda os gados são levados ao lindo campo para serem alimentados, para
sobreviverem. Para um futuro aproveitamento de suas carnes.
A bonita escola que leciono, e
todas as outras são assim, não posso ser hipócrita e dizer o contrário. A vida
é feita de jardins em que a única chance de permanecer neles é acreditando em
uma permanência, seja ela ridícula ou mesmo desumana. Dessa forma fica um
jardim paradoxal. Os únicos seres que permanecem em um lado verdadeiramente
florido são aqueles que sonham, planejam e lutam por um objetivo sutil, oculto
e surpreendentemente revolucionário. E
são poucos os loucos.
O ‘gostar’ desapareceu de nossas
formas de aprendizagem – novamente levando a outro paradoxo -, construtivismo
com sangue.
As mensagens de amor são lidas
em um ambiente escolar pensando no salario e nas dividas, os quadros são cheios
a medida que se enche a angustia.
Tenho certeza que não são apenas
salários. A grande questão seria uma via que passa pela falta de formação e
termina em um presídio.
Grades
além da escola. Como se a escola fosse um ponto de referencia a este humilde
gesto de vida assalariada de um funcionário público. Os professores são crentes
e as famílias são os dizimistas. É uma pena que seja assim. Uma dialética
robusta e rigorosa, que permanece em nossa história dizendo que sempre seremos
agentes penitenciários de nossas próprias prisões. Com cabeça erguida, nariz
empinado e voz forte. Este é o professor. Preso como o aluno na escola
presidio.

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